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Stuhlberger e Fraga criticam gestão fiscal do governo Lula 3

Economistas como Stuhlberger e Armínio Fraga, que apoiaram Lula em 2022, agora criticam desequilíbrio fiscal e esgotamento do arcabouço no governo Lula 3.

Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista

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TL;DR · 4 min de leitura

Economistas como Stuhlberger e Armínio Fraga, que apoiaram Lula em 2022, agora criticam desequilíbrio fiscal e esgotamento do arcabouço no governo Lula 3.

Luis Stuhlberger, um dos gestores de recursos mais influentes do Brasil, declarou publicamente que se arrepende de ter acreditado que o PT teria comprometimento com a disciplina fiscal. A frase, dita durante encontro com investidores do Fundo Verde, fechou um ciclo político: o mesmo mercado financeiro que legitimou a eleição de Lula em 2022 agora questiona abertamente a condução das contas públicas no governo Lula 3.

A ruptura não é simbólica, é ampla. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, que declarou voto em Lula no segundo turno de 2022 em nome da defesa das instituições, apontou ao Estadão o que classificou como deterioração explícita das finanças públicas. Stuhlberger havia feito o mesmo, com ainda menos diplomacia.

O problema fiscal, na prática

Stuhlberger foi direto: percebeu que cometeu um erro de avaliação quando o governo encaminhou ao Congresso o projeto de lei orçamentária para 2025. A peça era irrealista em suas premissas. Todo o espaço de gasto permitido pelo arcabouço fiscal já estaria comprometido nos orçamentos dos dois próximos anos, consumido por despesas criadas pela própria administração. Não haveria folga nem pelo lado dos gastos nem pelo lado da receita.

Outros nomes que também apoiaram Lula em 2022, como Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso, Elena Landau, Henrique Meirelles e Persio Arida, já manifestaram decepção com a política econômica do terceiro mandato, conforme reportou o Estadão. Nenhum deles é opositor histórico do PT.

O peso dessas críticas reside exatamente aí: não partem de adversários ideológicos, mas de interlocutores que estenderam crédito político ao presidente e agora pedem de volta. Stuhlberger havia declarado em 2021 que não voltaria a votar em Bolsonaro. Fraga declarou seu voto em Lula explicitamente como uma escolha em nome da democracia. Quando eles falam, o mercado escuta.

A versão oficial

Lula tem outra leitura. Em fevereiro de 2025, declarou que o Brasil está infinitamente melhor do que quando assumiu, citando crescimento acima das projeções iniciais, com dados endossados pelo site do Planalto. Em março de 2026, afirmou ao InfoMoney que a situação econômica é boa, mas que a percepção da sociedade ainda não acompanhou essa realidade.

Crescimento e solvência fiscal, porém, não são a mesma coisa. Um país pode expandir seu PIB e ao mesmo tempo acumular desequilíbrios estruturais que se manifestam no custo do crédito, no câmbio e na trajetória da dívida, variáveis que afetam diretamente quem investe, empreende ou planeja o futuro financeiro no Brasil. A pesquisa Quaest de março de 2026 mostrou que 46% dos brasileiros veem piora na economia, o que sugere que o crescimento agregado não se traduz em percepção de bem-estar para a maioria.

O que os números revelam

Se o diagnóstico de Stuhlberger sobre o arcabouço estiver correto, o governo Lula 2025 enfrenta uma escolha sem saída confortável: revisar despesas, elevar ainda mais a carga tributária ou conviver com pressão crescente sobre juros e câmbio. Nenhuma das três alternativas é simples em ano pré-eleitoral.

Há um precedente histórico que ilumina o momento. Governos do PT sempre encontraram tensão entre suas bases de gasto e as exigências de equilíbrio fiscal, mas raramente essa tensão foi nomeada publicamente por aliados tão qualificados e tão próximos do próprio campo político. O que está em jogo não é apenas um número no orçamento, é a credibilidade do arcabouço como âncora fiscal de médio prazo.

A questão que fica

Se o arcabouço já não tem folga real e os aliados mais respeitados do mercado dizem isso em público, o governo precisará de respostas concretas antes que o debate fiscal se transforme em variável eleitoral. O silêncio de aliados confiáveis pesa mais do que qualquer discurso oficial sobre a boa situação da economia.

Perguntas frequentes

Quem são Stuhlberger e Fraga e por que suas opiniões importam? Stuhlberger é gestor do Fundo Verde, um dos fundos de investimento mais respeitados do país. Fraga foi presidente do Banco Central no governo FHC e é sócio da Gávea Investimentos. Ambos têm influência direta sobre decisões de alocação de capital no Brasil e não são identificados como opositores do PT.

O que é o arcabouço fiscal e por que está sendo questionado? É o conjunto de regras criado pelo governo Lula para substituir o teto de gastos, com o objetivo de equilibrar despesas e receitas ao longo do tempo. Stuhlberger afirma que todo o espaço de gasto previsto já está comprometido nos orçamentos dos próximos dois anos pelas despesas criadas pelo próprio governo.

Por que economistas que votaram em Lula estão criticando o governo agora? Porque declararam apoio em 2022 com expectativa de responsabilidade fiscal e avaliam que essa expectativa não foi cumprida, especialmente no planejamento orçamentário a partir de 2025. A crítica tem peso maior exatamente por partir de dentro do campo que legitimou a eleição.

A economia está crescendo. Isso não contradiz as críticas fiscais? Crescimento do PIB e equilíbrio fiscal são variáveis distintas. Um país pode crescer e simultaneamente acumular desequilíbrios que se traduzem em juros altos, câmbio depreciado e pressão sobre a dívida pública, afetando diretamente o ambiente de negócios e o poder de compra da população.

Fontes
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/economistas-criticas-governo-lula-terceiro-mandato-gestao-contas-publicas-nprei
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/18/eduardo-bolsonaro-inelegivel-por-8-ou-12-anos-juristas-divergem-sobre-punicao-apos-condenacao-no-stf.ghtml
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/politica/decisao-do-stf-sobre-eduardo-bolsonaro-pressiona-campanha-de-flavio-em-momento-dificil-nas-pesquisas/
  • correiodopovo.com.br — https://www.correiodopovo.com.br/not%C3%ADcias/pol%C3%ADtica/o-que-acontece-apos-a-condenacao-de-eduardo-bolsonaro-por-coacao-1.1722971

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