Lula admite que percepção da economia não acompanha os dados
Com PIB crescendo 3,5% em 2024, Lula admite que 46% dos brasileiros ainda percebem piora na economia. Entenda o paradoxo e o que está por trás do governo Lula 3.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
Com PIB crescendo 3,5% em 2024, Lula admite que 46% dos brasileiros ainda percebem piora na economia. Entenda o paradoxo e o que está por trás do governo Lula 3.
“A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa.” A frase é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferida em 19 de março em São Bernardo do Campo, durante ato de pré-candidatura de Fernando Haddad. Em vez de questionar a política econômica, o Planalto aposta que o problema está em como a população enxerga os fatos, não nos fatos em si.
Pesquisa Quaest divulgada dez dias antes mostrou que 46% dos brasileiros percebem piora na economia e 43% reprovam a condução econômica do governo Lula. São números incômodos para quem exibe crescimento do PIB de 3,2% em 2023 e 3,5% em 2024, segundo a Fundação Getulio Vargas, com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central apontando expansão de 3,8% no mesmo período.
Em fevereiro de 2025, após cimeira com Portugal, Lula declarou que o Brasil estava em situação infinitamente melhor do que quando assumiu o terceiro mandato. O problema é que crescimento de PIB não chega automaticamente à sacola de compras.
O preço dos combustíveis
Com a guerra no Irã pressionando o petróleo no mercado global, postos brasileiros repassaram o aumento. Lula acusou distribuidoras de praticar inflação artificial ao elevarem também o etanol, produto sem relação direta com o conflito no Oriente Médio. O governo federal tentou subsidiar parte do impacto, mas estados resistem a reduzir o ICMS para amortecer o custo ao consumidor.
O impasse expõe uma dificuldade estrutural do governo Lula 3: coordenar respostas fiscais com os estados em momentos de pressão de preços. Subsidiar pela União tem custo direto no caixa federal. Pressionar os estados tem custo político. O consumidor paga a conta enquanto os dois lados trocam acusações.
Frente às críticas do mercado financeiro, o Planalto mantém postura de confronto. Lula classificou questionamentos sobre gastos como ataques a políticas sociais e defendeu que a dívida social do Brasil é impagável. O argumento tem apelo retórico, mas não responde à pergunta dos credores sobre a sustentabilidade das contas públicas no médio prazo.
Em discurso no aniversário do PT, Lula lembrou que analistas previam crescimento de 0,8% em 2023, enquanto o resultado foi de 3,2%, e aproveitou para criticar o que chamou de pessimismo do setor financeiro, segundo a CNN Brasil. O tom beligerante é recorrente no governo Lula 3, com efeitos visíveis nas projeções de juros e na volatilidade cambial.
O que os dados não dizem
Quando a maioria da população não sente a melhora que os números macroeconômicos sugerem, o problema pode estar nos dados, na distribuição dos ganhos, ou nos dois. PIB crescendo não significa que todos crescem juntos. Concentração de renda, inflação de alimentos e juros ainda elevados consomem parte dos avanços antes que cheguem às camadas mais vulneráveis.
Aliados do próprio Planalto já compararam o estilo de gestão atual ao intervencionismo do governo Dilma Rousseff, segundo o Estadão. A Petrobras chegou a perder R$ 56 bilhões em valor de mercado depois de uma sequência de declarações contraditórias do presidente sobre dividendos extraordinários. Sinalização fiscal inconsistente e interferência em estatais têm custo real sobre o investimento privado, mesmo quando o PIB agregado avança.
Com as eleições de 2026 se aproximando e Haddad se posicionando para disputar o governo de São Paulo, o Planalto terá que responder a uma pergunta direta: se a economia está bem, por que metade do país acha que não está?
Perguntas frequentes
Por que os brasileiros não sentem a melhora econômica que os dados mostram?
Crescimento do PIB é uma média que pode esconder concentração de ganhos. Quando a inflação de alimentos e o custo dos combustíveis sobem mais rápido do que a renda do trabalhador, o resultado macroeconômico e a vivência cotidiana apontam em direções opostas.
O que é o ICMS sobre combustíveis e por que os estados resistem em reduzi-lo?
O ICMS é um imposto estadual que representa parcela relevante da arrecadação dos estados. Reduzir a alíquota sobre combustíveis exige corte de gastos ou compensação fiscal, algo politicamente difícil mesmo com a inflação de preços pressionando a população.
Como o governo Lula 3 se compara ao governo Dilma em termos de intervencionismo?
Aliados do Planalto admitem a semelhança: interferência em estatais como a Petrobras e resistência às sinalizações do mercado criam incerteza para investidores, elevando o custo de capital mesmo em períodos de crescimento do PIB.
Qual é o impacto da guerra no Irã nos preços dos combustíveis no Brasil?
O conflito elevou o preço do petróleo internacionalmente, pressionando a gasolina no país. O governo tenta subsidiar o impacto, mas a resistência dos estados em reduzir o ICMS limita o alcance das medidas e deixa o consumidor exposto ao aumento.
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
- cartacapital.com.br — https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-volta-a-rebater-criticas-sobre-gastos-do-governo-e-diz-haver-uma-divida-social-impagavel
- tendencias.com.br — https://tendencias.com.br/a-mao-pesada-do-governo-lula-na-economia-pesadelo-a-vista-estadao
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais