Fraga e Stuhlberger criticam contas públicas do governo Lula 3
Economistas que apoiaram Lula em 2022 agora criticam a gestão fiscal do terceiro mandato; veja o que Fraga e Stuhlberger disseram sobre as contas públicas.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
Economistas que apoiaram Lula em 2022 agora criticam a gestão fiscal do terceiro mandato; veja o que Fraga e Stuhlberger disseram sobre as contas públicas.
Armínio Fraga não escolheu palavras suaves. O ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos descreveu, em entrevista ao Estadão, o que chamou de “deterioração explícita” das finanças públicas brasileiras. O peso da declaração vem de quem, em 2022, declarou publicamente voto em Lula no segundo turno em nome da defesa da democracia.
Um dia depois, Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde e presidente da Verde Asset, foi além. Em encontro com investidores, disse que se arrependeu de ter confiado na seriedade fiscal do governo do PT. O sinal de alerta chegou, segundo ele, quando o Executivo enviou o orçamento de 2025 ao Congresso, um documento que classificou como “peça de ficção”.
O que os dois disseram não é ruído de mercado. É o sinal de uma ruptura entre o governo Lula 3 e parte do campo econômico que o ajudou a chegar ao poder.
A ruptura com os aliados
Fraga e Stuhlberger não estão sozinhos. Pedro Malan, Elena Landau, Henrique Meirelles e Persio Arida, nomes que manifestaram apoio ou simpatia ao PT no segundo turno de 2022, também já expressaram decepção com a condução econômica do terceiro mandato, conforme reportou o Estadão.
O diagnóstico de Stuhlberger é direto: todo o espaço para gastos previsto pelo arcabouço fiscal já está comprometido nos orçamentos dos dois próximos anos, por conta de novas despesas criadas pelo governo, e a margem para elevar a carga tributária é estreita. Em outras palavras, o governo gastou além do que o quadro fiscal comporta e não tem saída fácil.
A narrativa oficial segue na direção oposta. Em discurso no aniversário do PT, segundo a CNN Brasil, Lula criticou as projeções do mercado e lembrou que os analistas erraram feio em 2023, quando previram crescimento de 0,8% e o país registrou 3,2%. Para 2024, a FGV apontou expansão de 3,5%, com o IBC-Br do Banco Central chegando a 3,8%, conforme publicado pelo portal do governo federal.
Os números existem. A questão é o preço que se está pagando por eles.
O que os dados não mostram
Crescer acima das expectativas sem controle do lado dos gastos é uma receita conhecida na história fiscal brasileira: produz resultados no curto prazo e apresenta a conta depois. O arcabouço fiscal de 2023 surgiu como substituto do teto de gastos, com regras mais flexíveis para as despesas do governo. Na prática, a flexibilidade tornou-se regra permanente, e o espaço que sobrava foi preenchido com despesas novas.
Em março de 2026, o próprio presidente reconheceu parte do impasse. “A situação econômica é boa, mas a percepção da sociedade ainda não é boa”, declarou Lula em ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, segundo a InfoMoney. Uma pesquisa Quaest de março mostrava 46% dos brasileiros avaliando que a economia piorou e 43% avaliando negativamente a condução econômica do governo.
Percepção não é ilusão. Juros altos, custo de vida elevado e combustíveis mais caros são variáveis que chegam antes do PIB na mesa de quem trabalha.
O que vem pela frente
As críticas de Fraga e Stuhlberger importam por uma razão concreta: esses são os agentes que movem capital, formam expectativas e, em última análise, definem o custo do crédito no país. Quando o diagnóstico fiscal negativo vem de quem apoiou o governo Lula, a sinalização para o mercado é mais difícil de ignorar do que quando parte apenas da oposição.
O governo terá de escolher entre ajustar o ritmo de gastos e aceitar o desgaste político de cortes, ou continuar expandindo despesas e conviver com juros estruturalmente altos. Não há terceira opção que os números autorizem.
FAQ
O que Armínio Fraga disse sobre as contas públicas no governo Lula 3?
Fraga descreveu a situação das finanças públicas como uma “deterioração explícita” em entrevista ao Estadão. A declaração teve peso porque ele havia declarado voto em Lula no segundo turno de 2022 em defesa da democracia.
Por que Stuhlberger criticou a gestão fiscal do PT?
O gestor do Fundo Verde disse que se arrependeu de ter confiado na seriedade fiscal do governo. Para ele, o orçamento de 2025 foi uma “peça de ficção” e todo o espaço do arcabouço fiscal já está comprometido pelos dois próximos anos, sem margem relevante para aumento de impostos.
O PIB do Brasil cresceu no governo Lula 2025?
Sim. A FGV registrou crescimento de 3,5% em 2024, com o IBC-Br do Banco Central apontando 3,8%. O debate entre economistas não é sobre o crescimento passado, mas sobre a sustentabilidade fiscal do ritmo atual de gastos.
O que é o arcabouço fiscal e por que está no centro das críticas?
O arcabouço fiscal substituiu o teto de gastos em 2023 com regras mais flexíveis para as despesas federais. Críticos como Stuhlberger argumentam que o governo já esgotou toda a margem prevista nas regras, sem espaço para novos gastos ou aumento da carga tributária.
- estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/economistas-criticas-governo-lula-terceiro-mandato-gestao-contas-publicas-nprei
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais