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Brasilia 4 min de leitura

Novo equilibra candidatura de Zema com alianças bolsonaristas nos estados

Partido Novo tenta conciliar a candidatura de Zema com alianças ao PL, buscando superar a cláusula de barreira e ampliar seu orçamento eleitoral.

Por Beatriz Camargo · Reporter de Economia

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TL;DR · 4 min de leitura

Partido Novo tenta conciliar a candidatura de Zema com alianças ao PL, buscando superar a cláusula de barreira e ampliar seu orçamento eleitoral.

Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, participou nesta segunda-feira de um seminário da Câmara Americana de Comércio, reforçando sua projeção como candidato à Presidência. Ao mesmo tempo, o Novo mantém acordos com o PL de Flávio Bolsonaro nos bastidores estaduais, estratégia essencial para driblar a cláusula de barreira que ameaça seu acesso ao Fundo Partidário.

A cláusula exige 2,5% dos votos válidos distribuídos em, no mínimo, nove estados, ou a eleição de 13 deputados federais em ao menos nove unidades federativas. Sem cumprir esses requisitos, o partido perderia recursos críticos e tempo de propaganda. Por isso, o Novo tem buscado alianças regionais que garantam cadeiras e votos suficientes para ultrapassar o patamar exigido.

Eduardo Ribeiro, presidente da legenda, afirma que o partido chega a 2026 com “mais musculatura política e financeira”. Nas eleições de 2018 e 2022, o Novo não utilizou fundos partidários ou eleitorais, mas a estratégia mudou nas municipais de 2024, quando o número de vereadores eleitos saltou de 35 para 264, além de 19 prefeitos. “Acumulamos quase R$ 100 milhões de fundo partidário e devemos chegar à eleição com um orçamento entre R$ 80 e R$ 90 milhões”, disse Ribeiro, indicando que o partido está pronto para investir pesado nas próximas disputas.

A necessidade de alianças com o PL não é apenas tática; ela reflete a fragmentação da direita fora do eixo Bolsonaro. Enquanto Zema tenta se posicionar como uma alternativa liberal ao bolsonarismo, a realidade dos bastidores mostra que o Novo ainda depende da base de apoio do PL para garantir a presença em estados onde ainda não tem estrutura própria. Essa dualidade cria tensão interna, pois eleitores que rejeitam o legado de Jair Bolsonaro podem se sentir desconfortáveis ao ver o partido ao lado de Flávio Bolsonaro.

A estratégia de Zema também tem repercussões no cenário nacional. O presidente Lula tem defendido a necessidade de o mercado falar para que seu governo ajuste a política econômica, como destacou em seu discurso de 2023 sobre críticas ao desempenho econômico. Enquanto isso, o Novo tenta apresentar uma narrativa de responsabilidade fiscal, contrastando com o discurso de Lula que, apesar de apontar crescimento do PIB, ainda enfrenta percepção negativa da população sobre a economia, segundo pesquisa Quaest de março de 2026.

A aliança com o PL pode ser decisiva para o Novo alcançar a cláusula de barreira, mas também arrisca diluir a mensagem de liberalismo econômico que Zema tem defendido em Minas. O partido ainda não revelou como pretende conciliar essas duas linhas, mas a expectativa é que a campanha presidencial seja marcada por discursos que enfatizem a necessidade de reduzir o intervencionismo estatal, ao mesmo tempo em que se aproveita a estrutura de campanha do PL nos estados onde o Novo ainda é fraco.

O cenário indica que a disputa presidencial de 2026 será mais complexa do que simples polarização entre PT e direita. O Novo, ao equilibrar a candidatura de Zema com alianças bolsonaristas, cria uma nova dinâmica que pode atrair eleitores centristas cansados dos excessos de gastos públicos, mas que ainda exigem segurança jurídica e estabilidade fiscal.

A longo prazo, a capacidade do Novo de manter essa balança determinará se o partido se consolida como a principal força de centro‑direita ou se permanecerá como um ator de coalizão, dependente de acordos com o PL. O que está claro é que a disputa pela cláusula de barreira será um dos principais indicadores de força para a direita nas próximas eleições.

FAQ

Quais são os requisitos da cláusula de barreira? A regra exige 2,5% dos votos válidos distribuídos em pelo menos nove estados, ou 13 deputados eleitos em ao menos nove unidades federativas.

Por que o Novo está aliado ao PL de Flávio Bolsonaro? Para garantir cadeiras e votos que assegurem o cumprimento da cláusula de barreira e o acesso ao Fundo Partidário.

Quanto o Novo pretende gastar nas eleições de 2026? O partido estima um orçamento entre R$ 80 e R$ 90 milhões, após acumular quase R$ 100 milhões de fundo partidário nos últimos anos.

Como a percepção da economia afeta a candidatura de Zema? Apesar de indicadores positivos citados pelo governo Lula, pesquisas mostram que 46% da população acredita que a economia piorou, o que pode favorecer candidatos que prometem responsabilidade fiscal.

Fontes
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/06/13/eleicoes-2026-novo-tenta-se-equilibrar-entre-candidatura-de-zema-e-aliancas-com-flavio-bolsonaro-nos-estados.ghtml
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula

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