Justiça Eleitoral barra pré-campanha de Randolfe no Amapá
Decisão da Justiça Eleitoral do Amapá cancela evento de pré-campanha de Randolfe e acende debate sobre uniformização das regras eleitorais pelo TSE.
Por Marcelo Tavares · Editor-chefe
Decisão da Justiça Eleitoral do Amapá cancela evento de pré-campanha de Randolfe e acende debate sobre uniformização das regras eleitorais pelo TSE.
A Justiça Eleitoral do Amapá cancelou o evento de lançamento da pré-campanha do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) à reeleição no Senado. O ato havia sido programado para marcar a entrada oficial do líder do governo Lula no Congresso na disputa pelo mandato, mas a corte regional determinou que o evento contrariava as normas eleitorais em vigor.
Randolfe não ficou em silêncio. Saiu a público para contestar o critério adotado pela Justiça do Amapá, alegando que cortes de outros estados permitem eventos semelhantes para candidatos de oposição e de situação sem restrições equivalentes. O argumento é direto: regras diferentes para situações iguais criam vantagem eleitoral indevida.
Segundo o Metrópoles, o senador quer que o TSE defina com clareza o que é permitido durante a pré-campanha e que eventuais restrições sejam aplicadas de forma uniforme em todo o país, não apenas em um estado.
O argumento da desigualdade
O raciocínio tem uma lógica processual sólida. Se a mesma conduta é tolerada em São Paulo, em Minas Gerais ou no Rio Grande do Sul, impedir o ato apenas no Amapá equivale a criar uma desvantagem artificial para o candidato local. Sem uma diretriz clara do TSE, cada tribunal regional interpreta a lei eleitoral com autonomia, o que produz decisões contraditórias entre estados.
A fronteira legal entre pré-campanha e propaganda antecipada é nebulosa por definição. A legislação proíbe propaganda eleitoral antes do período permitido, mas não veda a participação de políticos em eventos públicos e articulações partidárias. Os tribunais calibram essa linha caso a caso, e o resultado são decisões que variam conforme o estado, alimentando disputas como a que Randolfe enfrenta agora.
Para o senador, o contexto é ainda mais delicado. Como principal articulador do governo Lula 3 no Congresso, ele é peça central na engrenagem que costura acordos entre o Planalto e o Legislativo. Perder terreno em sua base no Amapá seria um golpe político que transcende a própria carreira.
O cenário eleitoral mais amplo
Esse episódio é mais um sinal da turbulência que já domina o ciclo de 2026. No campo da direita, o G1 revelou que o Novo tenta equilibrar a pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência com alianças estaduais junto ao PL de Flávio Bolsonaro, estratégia adotada para superar a cláusula de barreira e garantir acesso ao fundo eleitoral.
No campo governista, a batalha é de percepção. Em março, o presidente Lula admitiu publicamente, durante evento de pré-candidatura de Fernando Haddad em São Bernardo do Campo, que os números da economia não se traduzem em aprovação popular. A InfoMoney reportou que uma pesquisa Quaest divulgada em 10 de março apontava 46% dos brasileiros avaliando que a economia piorou e 43% julgando negativamente a condução econômica do governo Lula. Nesse cenário, aliados como Randolfe precisam mostrar força em suas bases para não chegarem fragilizados à disputa.
Vale lembrar que o próprio Planalto divulgou crescimento do PIB de 3,5% em 2024, segundo a FGV. O paradoxo é que números positivos no agregado convivem com percepção negativa no cotidiano: o preço dos combustíveis, a inflação de alimentos e a pressão sobre a renda familiar criam um ambiente difícil para quem precisa ganhar votos, independentemente do que mostram as estatísticas nacionais.
Se o TSE acatar o pedido de uniformização, Randolfe poderá remarcar o evento e retomar o calendário da pré-campanha. A questão que permanece, porém, é mais ampla: em um ciclo eleitoral onde o governo Lula precisa converter gestão em votos diante de um eleitorado cético, quantos de seus aliados conseguirão mobilizar bases sem tropeçar nas próprias regras do jogo?
Perguntas frequentes
Por que a Justiça Eleitoral cancelou o evento de Randolfe?
A corte eleitoral do Amapá entendeu que o ato de lançamento da pré-campanha contrariava as normas eleitorais vigentes. A legislação proíbe propaganda eleitoral antecipada, e o tribunal considerou que o evento se enquadrava nessa categoria.
O que é pré-campanha e quando ela pode começar legalmente?
A lei eleitoral brasileira não define com precisão o início da pré-campanha. O período formal de campanha começa em 16 de agosto do ano eleitoral, mas atividades de articulação política ocorrem antes disso em uma zona cinzenta interpretada de forma diferente por cada tribunal regional.
Randolfe pode recorrer da decisão ao TSE?
Sim. O senador já indicou que pretende buscar uma definição nacional sobre as regras de pré-campanha junto ao Tribunal Superior Eleitoral, que tem competência para uniformizar a jurisprudência eleitoral em todo o país.
Quem são os possíveis adversários de Randolfe na disputa pelo Senado no Amapá?
As articulações eleitorais no Amapá ainda estão em fase inicial. Não há, até o momento, nomes confirmados de candidatos adversários com apoio suficiente para uma disputa competitiva ao Senado pelo estado.
- metropoles.com — https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/lider-de-lula-reage-apos-justica-proibir-evento-de-pre-campanha
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/06/13/eleicoes-2026-novo-tenta-se-equilibrar-entre-candidatura-de-zema-e-aliancas-com-flavio-bolsonaro-nos-estados.ghtml