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Peru: Sánchez lidera eleições com 0,1% de vantagem sobre Keiko

Resultados do segundo turno no Peru mostram empate técnico entre Sánchez e Keiko, com vantagem de apenas 0,1%. Contagem de votos no exterior e atas judiciais podem decidir a eleição.

Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica

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TL;DR · 4 min de leitura

Resultados do segundo turno no Peru mostram empate técnico entre Sánchez e Keiko, com vantagem de apenas 0,1%. Contagem de votos no exterior e atas judiciais podem decidir a eleição.

A eleição presidencial no Peru segue em estado de suspensão. Com 97% das urnas apuradas, Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, lidera por apenas 0,1% sobre Keiko Fujimori, da Força Popular, mantendo uma vantagem de cerca de 25 mil votos. A noite de ontem, Sánchez reduziu o distanciamento para apenas décimos de pontos percentuais, mas ainda mantém a dianteira na disputa eleitoral.

Keiko saiu na frente na apuração do domingo, mas viu Sánchez tomar a liderança na tarde de ontem. As pesquisas de boca de urna apontavam um empate técnico no domingo, com Keiko numericamente à frente. Já a contagem rápida, baseada em amostragem estatística com votos reais, mostrava Sánchez à frente por décimos de percentual.

A lentidão na chegada de atas do exterior e das regiões mais remotas do país, somada à grande quantidade de urnas impugnadas que aguardam decisão judicial, deve estender ainda por dias a divulgação do resultado. Com 30,2% dos votos no exterior apurados, a expectativa é que a contagem completa leve semanas.

Especialistas apontam que a maior parte dos votos ainda a serem contabilizados são de eleitores peruanos no exterior, que historicamente favorecem candidatos de direita. Cerca de 300 mil peruanos residentes no exterior compareceram às urnas no domingo, mas apenas 30,2% foram contabilizados até ontem.

Além disso, faltam cerca de 1.500 atas enviadas a júris especiais que fazem parte de uma auditoria da eleição. Cada uma dessas atas contém entre 200 e 300 votos, totalizando aproximadamente 450 mil votos pendentes. A maior parte dessas atas vem de Lima, onde Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, tem mais de 60% de apoio do eleitorado.

O cenário se complica com a possibilidade de que atas impugnadas sejam incluídas ou excluídas da contagem final. A decisão judicial será crucial para a definição do vencedor, já que a margem é menor que o número de votos em disputa.

A eleição do segundo turno tem tudo a ver com as divisões profundas na sociedade peruana. Sánchez, do partido comunista, representa uma aliança de esquerda que governou anteriormente o país. Keiko, herdeira de uma família política marcada por controvérsias, defende uma agenda mais alinhada aos interesses do setor privado e à estabilidade institucional.

O Peru vive uma crise de confiança nas instituições. A economia enfrenta inflação elevada, desemprego e desigualdade social. Os two candidatos representam duas visões opostas: uma esquerda que defende maior intervenção estatal nos setores econômicos e uma direita que prioriza a abertura ao mercado e a redução do déficit público.

A decisão de hoje pode ter impacto além das fronteiras. Países da região observam com atenção a volta do comunismo no Peru, que poderia influenciar movimentos de esquerda em outras nações da América Latina. Ao mesmo tempo, uma vitória de Keiko sinaliza uma aproximação maior com os EUA e o bloco de direita.

A contagem dos votos no exterior tem sido um fator determinante. Em eleições anteriores, os votos de peruanos no exterior tendiam a favorecer candidatos de direita por sua concentração em países desenvolvidos, onde os eleitores tendem a ter visões mais conservadoras sobre economia e segurança. Com apenas 30,2% dos votos no exterior contabilizados, a decisão pode depender dessas seções.

O STF peruano enfrenta pressão para acelerar a análise das atas impugnadas. O presidente da corte, Manuel Merino, afirmou que a decisão será tomada com base nas provas apresentadas. A pressão internacional pela transparência eleitoral cresce, com observadores da ONU e da OEA monitorando o processo.

A incerteza eleitoral chega aos trinta dias, mas a população peruana parece resignada a viver um segundo turno prolongado. A polarização política é tão intensa que grande parte da sociedade já aceita que o resultado só será definido no final do processo judicial.

Enquanto a contagem continua, o foco está nas próximas semanas. Se Sánchez consegue manter sua vantagem, o Peru pode ver seu primeiro presidente comunista eleito democraticamente desde 2000. Se Keiko vence, será a primeira vez que uma mulher chega à presidência pelo Partido da União Feminina, que fundou em 1998.

Fontes
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/mundo/noticia/2026/06/09/keiko-reduz-vantagem-de-snchez-nas-eleies-no-peru-apurao-segue-lenta.ghtml
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • ndmais.com.br — https://ndmais.com.br/politica/mato-grosso-do-sul-stf-e-congresso-podem-impactar-o-cenario-politico-de-ms/

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