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Brasilia 4 min de leitura

RN deve registrar déficit de R$ 3 bi em 2026, aponta XP

Levantamento da XP Investimentos projeta que o RN fechará 2026 com déficit superior a R$ 3 bilhões, enquanto estados acumulam rombo coletivo de R$ 6 bi.

Por Marcelo Tavares · Editor-chefe

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TL;DR · 4 min de leitura

Levantamento da XP Investimentos projeta que o RN fechará 2026 com déficit superior a R$ 3 bilhões, enquanto estados acumulam rombo coletivo de R$ 6 bi.

O Rio Grande do Norte deve fechar 2026 com um rombo superior a R$ 3 bilhões nas contas públicas. A projeção, divulgada pela XP Investimentos e publicada pelo O Globo, coloca o estado entre os entes da federação com maior desequilíbrio fiscal do país, em meio a um ano eleitoral que pressiona as contas públicas de ponta a ponta.

Não se trata de fenômeno isolado. O conjunto dos estados brasileiros deve somar um déficit de R$ 6 bilhões em 2026, uma reversão abrupta do superávit de R$ 6,6 bilhões registrado em 2025. Em doze meses, o saldo coletivo passou do azul para o vermelho, e o calendário eleitoral explica boa parte da mudança.

O ritmo dos gastos

Até abril deste ano, as despesas totais dos estados cresceram 6,5% acima da inflação, o dobro do avanço real das receitas no mesmo período, que ficou em 3,3%, conforme apurou a Tribuna do Norte. Gastar duas vezes mais do que se arrecada, em termos reais, é uma equação que não se sustenta. A questão é apenas quando a conta chega.

“Isso já era esperado num ano eleitoral”, disse o economista Tiago Sbardelotto, da XP Investimentos. Quando os cofres têm folga, a tendência histórica é ampliar despesas acima do ritmo dos anos anteriores. Os estados entraram em 2026 com uma reserva de caixa de R$ 29 bilhões, o que abre espaço para queimar recursos agora, ainda que esse colchão seja bem menor do que o de R$ 49 bilhões disponível no início de 2025.

Para o RN, a pressão é dupla: além do aumento de gastos típico de período eleitoral, o estado parte de uma base estruturalmente frágil. A combinação de arrecadação moderada e despesas em aceleração não é novidade para o estado, que historicamente ocupa posições desfavoráveis nos rankings de equilíbrio fiscal entre os entes da federação.

O discurso federal e a realidade estadual

A deterioração nas contas estaduais ocorre num ambiente federal também pressionado. O governo Lula tem criticado de forma recorrente as projeções do mercado desde o início do terceiro mandato, conforme registrou a CNN Brasil. Em março deste ano, Lula admitiu que “a percepção da sociedade ainda não é boa”, segundo a InfoMoney, uma admissão, ainda que indireta, do abismo entre o discurso oficial e o cotidiano do cidadão.

Para estados como o RN, esse descolamento é ainda mais concreto. A receita federal transferida aos estados cresce, mas não no ritmo das promessas de gastos que acompanham anos eleitorais. Quem arca com a diferença é o contribuinte, na forma de serviços piores ou de dívidas que caberão às próximas gestões equacionar.

O próximo governo herda a conta

Déficits em ano eleitoral não são novidade na federação brasileira. O padrão se repete: governadores aproveitam o espaço fiscal acumulado para aumentar transferências, contratar servidores e inaugurar obras antes das eleições de outubro. O ajuste posterior fica sempre para o sucessor, criando um ciclo em que a responsabilidade fiscal é sistematicamente postergada. No caso do RN, a projeção de R$ 3 bilhões no vermelho significa que o próximo governador assumirá com menos caixa, mais compromissos e menor margem para investimentos.

A pergunta relevante para o eleitor potiguar não é apenas quem vai governar o estado a partir de 2027, mas em que condições esse governo começa. Com o déficit projetado onde está, a próxima gestão terá que escolher entre cortar serviços, elevar tributos ou recorrer a mais endividamento. Essa conta, inevitavelmente, chega.

Perguntas frequentes

Por que o RN deve ter um dos maiores déficits do Brasil em 2026? Segundo a XP Investimentos, o estado combina aumento de gastos acima da inflação com crescimento mais moderado das receitas em ano eleitoral. A estrutura fiscal historicamente frágil do RN amplifica o impacto dessa dinâmica comum a vários estados.

O que é déficit fiscal de um estado? É quando o governo estadual gasta mais do que arrecada no período. O resultado negativo pode ser coberto por reservas de caixa, por operações de crédito ou por transferências federais, mas em algum momento exige ajuste.

Todos os estados estão no vermelho em 2026? Não necessariamente, mas a tendência geral é de deterioração. A XP Investimentos projeta um déficit coletivo de R$ 6 bilhões para o conjunto dos estados em 2026, após um superávit de R$ 6,6 bilhões em 2025. O desequilíbrio tende a ser mais acentuado nos estados com base fiscal mais fraca.

Quando o próximo governador do RN vai saber o tamanho real da herança fiscal? A fotografia mais completa costuma aparecer no balanço de encerramento de 2026, geralmente divulgado no primeiro trimestre do ano seguinte, quando o novo governo já está no comando.

Fontes
  • tribunadonorte.com.br — https://tribunadonorte.com.br/colunas/notas-e-comentarios/rn-deficit-superior-a-r-3-bi/
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/08/governadores-aumentam-gastos-e-estados-devem-somar-deficit-de-r-6-bi-no-ano-eleitoral.ghtml
  • veja.abril.com.br — https://veja.abril.com.br/brasil/big-techs-movem-artilharia-pesada-no-stf-para-barrar-decretos-de-lula/

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