Fitch: Brasil cresce em 2026, mas inflação e Selic travam o otimismo
Agência de risco aponta crescimento do PIB em 2026 freado por inflação persistente, Selic travada e percepção negativa de 61% dos consumidores brasileiros.
Por Patricia Nogueira · Editora de Seguranca Publica
Agência de risco aponta crescimento do PIB em 2026 freado por inflação persistente, Selic travada e percepção negativa de 61% dos consumidores brasileiros.
O Brasil vai crescer em 2026, mas a conta vem junto. A Fitch Ratings divulgou seu diagnóstico para o País nesta semana: PIB em alta, inflação pressionada além do confortável e uma Selic que os analistas enxergam travada por mais tempo do que o Planalto gostaria.
O mercado financeiro não esperou. Conforme apurado pela Exame, o dólar acumulou valorização de 2,26% na semana e o real figurou entre os piores desempenhos entre moedas de países emergentes. O Ibovespa recuou 2,7% no período, acompanhando a aversão ao risco nos mercados externos. Crescer é bom. Crescer com inflação pressionada e câmbio cedendo é uma equação diferente.
O diagnóstico da Fitch
A tese central da agência é que o Brasil consegue avançar mesmo num ambiente global desfavorável, o que já é um mérito em si. O nó está no que acompanha esse crescimento: a inflação encerrou 2025 em 4,26% pelo IPCA, acima da meta central de 3%, e a perspectiva para 2026 é de mais pressão sobre os preços, tornando qualquer afrouxamento dos juros improvável no curto prazo, conforme o próprio diagnóstico detalhado pela Exame.
Juros altos têm custo fiscal direto. Quanto mais tempo a Selic permanece elevada, mais o Tesouro desembolsa para rolar a dívida pública, e menos espaço sobra para as políticas de estímulo que o governo Lula 3 tenta viabilizar num ano eleitoral. É essa dinâmica que a Fitch aponta como o principal freio ao otimismo projetado.
O governo discorda, claro
Lula há muito questiona o que chama de pessimismo do mercado. Em discurso no aniversário do PT, o presidente lembrou que analistas projetavam crescimento de 0,8% do PIB em 2023 enquanto a economia entregou 3,2%, episódio reportado pela CNN Brasil. Para o Planalto, os números oficiais são a realidade; as projeções do mercado são ruído.
O problema é que indicadores oficiais e percepção popular raramente andam juntos. A pesquisa Genial/Quaest, reportada pelo Valor Econômico, aponta que 61% dos brasileiros relatam perda de poder de compra no último ano; 58% dizem que o supermercado ficou mais caro; e 43% avaliam que o quadro geral da economia se deteriorou. Tudo isso num cenário em que o desemprego marcava 5,2% em novembro de 2025, mínimo histórico da série do IBGE iniciada em 2012.
A distância entre o PIB e o carrinho de compras
Há um divórcio estrutural entre macroeconomia e experiência cotidiana. O PIB cresce, o emprego formal avança, mas a inflação de alimentos e serviços corrói o orçamento doméstico de formas que o índice médio do IPCA não captura com precisão. Itens básicos da cesta alimentar sobem mais rápido do que a média; energia elétrica, transporte e aluguel seguem pressionados.
Para empreendedores e contribuintes de renda média, o diagnóstico da Fitch confirma o que os números do dia a dia já sinalizavam: crescer com inflação elevada e juros altos distribui os ganhos de forma assimétrica. Quem tem ativos financeiros lucra com a Selic. Quem vive de salário perde para o IPCA. A política fiscal expansionista do governo Lula alimenta justamente o componente inflacionário que o Banco Central tenta conter, num ciclo que o Valor Econômico aponta como desafio central para o equilíbrio das contas públicas.
O que vem pela frente
2026 é ano eleitoral e o cenário desenhado pela Fitch cria uma armadilha para o Planalto. Crescimento real existe, mas a percepção negativa persiste. A inflação pressiona sem que o governo tenha margem para usar a política monetária como aliada. O real segue vulnerável a oscilações externas e à desconfiança do mercado sobre a trajetória fiscal do País.
A questão que os próximos meses vão responder: o eleitor vai votar no PIB ou no preço do feijão?
Perguntas frequentes
O que a Fitch projeta para o Brasil em 2026?
A agência espera crescimento do PIB, mas aponta inflação acima do nível confortável e Selic travada como limitadores. O cenário é de expansão moderada com riscos fiscais e eleitorais relevantes para a economia brasileira.
Por que a inflação segue pressionada mesmo com IPCA dentro do teto da meta?
O índice de 4,26% ficou abaixo do teto, mas acima da meta central de 3%. A inflação de alimentos e serviços tende a ser sentida com mais intensidade pelas famílias de renda média e baixa, criando uma percepção pior do que o número médio sugere.
O que significa a Selic travada para empreendedores e tomadores de crédito?
Juros elevados encarecem financiamentos, aumentam o custo de rolagem da dívida pública e reduzem o espaço para investimentos privados. Para o empreendedor, crédito mais caro significa expansão mais difícil e margens mais apertadas.
Por que o real caiu se o Brasil tem crescimento projetado?
A moeda reflete expectativas de risco. Mesmo com PIB em alta, incertezas sobre o rumo fiscal do governo Lula 3, a inflação persistente e o ambiente externo de aversão ao risco pesaram contra o real na semana, conforme registrado nos mercados financeiros.
- exame.com — https://exame.com/invest/mercados/brasil-cresce-inflacao-estoura-e-selic-trava-o-diagnostico-da-fitch-para-2026/
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/lula-critica-projecoes-do-mercado-e-volta-a-prever-alta-do-pib-de-38-em-2024
- valor.globo.com — https://valor.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/percepcao-negativa-sobre-economia-e-desafio-para-lula.ghtml