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Brasilia 4 min de leitura

Lula diz que economia vai bem, mas 46% dos brasileiros discordam

Por que quase metade dos brasileiros avalia mal a economia mesmo com PIB crescendo: análise das contradições entre indicadores e custo de vida no governo Lula 3.

Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica

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TL;DR · 4 min de leitura

Por que quase metade dos brasileiros avalia mal a economia mesmo com PIB crescendo: análise das contradições entre indicadores e custo de vida no governo Lula 3.

O presidente Lula subiu ao palco do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, na quinta-feira (19), e entregou um diagnóstico peculiar: a economia está boa, o problema é que o brasileiro não percebeu. A declaração, feita durante ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, resume uma tensão que acompanha o governo Lula 3 desde seus primeiros meses.

Pelo discurso oficial, os números falam por si. O PIB cresceu 3,5% em 2024, segundo a FGV, acima da previsão inicial de 2,5%. Em fevereiro, o presidente lembrou que o IBC-Br do Banco Central registrou crescimento de 3,8%, superando as expectativas do mercado.

Nem sempre o que cresce no agregado chega ao orçamento doméstico. Essa é a fissura que os dados oficiais não explicam.

A conta que não fecha para o eleitor

Segundo pesquisa da Quaest, divulgada em março de 2026, 46% dos brasileiros avaliam que a economia piorou e 43% reprovam a condução econômica do governo. Esse índice não surgiu do nada: combustíveis mais caros, inflação acumulada e pressão sobre a renda das famílias pesam mais, no dia a dia, do que qualquer gráfico de crescimento do PIB.

O próprio presidente reconheceu o problema dos preços no mesmo evento. Disse que o governo fez propostas para conter o repasse da alta do petróleo, gerada pela guerra no Irã, mas as distribuidoras aumentaram mesmo assim, inclusive o etanol, produto sem relação direta com o conflito. Os governos estaduais, por sua vez, resistem a reduzir o ICMS e abrir mão de receita para aliviar o consumidor.

Resta um impasse político sem solução à vista. O governo federal culpa os Estados; os Estados culpam o mercado. Quem paga a conta é o motorista.

A deserção dos aliados do mercado

Não são apenas os adversários históricos de Lula que questionam a gestão econômica. Economistas que declararam voto nele em 2022 já manifestaram decepção pública. Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, afirmou que se arrepende de ter apostado na seriedade fiscal do PT, classificando o orçamento de 2025 como uma “peça de ficção”. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, falou em “deterioração explícita” das finanças públicas em entrevista ao Estadão.

Pedro Malan, Elena Landau, Henrique Meirelles e Persio Arida completam a lista de apoiadores de 2022 que expressaram insatisfação com os rumos fiscais. São nomes com histórico de independência partidária, o que torna difícil enquadrar a crítica como oposição política de ocasião.

Esse padrão de reclamação e resposta defensiva também não é novo. Em abril de 2023, O Globo registrou que Lula já rebatia críticas nos primeiros cem dias de mandato, dizendo que quem governa pensando nas análises negativas do mercado é melhor desistir. Três anos depois, a moldura é a mesma; só os números do déficit mudaram.

O peso das estatais

Enquanto o governo defende os indicadores macroeconômicos, os balanços das empresas públicas contam outra história. Os Correios registraram prejuízo de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 83% sobre o mesmo período do ano anterior. Em 2025, o rombo total chegou a R$ 8,5 bilhões, o pior resultado da história da empresa.

As despesas administrativas dobraram de um ano para o outro, e os encargos financeiros saltaram de R$ 282,9 milhões para R$ 985 milhões. O plano da estatal prevê superavit apenas em 2027, horizonte que, por ora, é mais promessa do que certeza.

O que está em jogo

Há uma distinção que o governo Lula 2025 parece resistir em aceitar: crescimento do PIB e bem-estar percebido pela população são indicadores diferentes. O PIB mede a produção agregada; o brasileiro mede o preço da gasolina, do gás e da cesta básica. Quando os dois divergem por tempo suficiente, o político que aposta apenas no agregado costuma se surpreender nas urnas.

Lula não está errado ao dizer que a percepção nem sempre reflete a realidade dos dados. Mas quando quase metade do eleitorado avalia negativamente a economia, a um ano das eleições de 2026, o diagnóstico de “problema de percepção” começa a parecer insuficiente. A pergunta que o governo precisará responder é se vai ajustar a política às queixas reais da população ou insistir que o problema está na cabeça do brasileiro.

Perguntas frequentes

O PIB brasileiro realmente cresceu nos últimos anos?

Sim. A economia cresceu 3,2% em 2023 e entre 3,5% e 3,8% em 2024, acima das previsões iniciais. O crescimento foi disseminado em indústria, serviços e consumo das famílias.

Por que a percepção da população é negativa mesmo com PIB em alta?

A alta dos combustíveis, a inflação acumulada e a pressão sobre o custo de vida afetam o orçamento familiar independentemente dos agregados macroeconômicos. Pesquisa Quaest de março de 2026 mostra que 46% dos brasileiros avaliam que a economia piorou.

Economistas que apoiaram Lula em 2022 ainda defendem o governo?

Vários romperam com o entusiasmo inicial. Stuhlberger, Fraga, Malan e outros nomes do campo econômico que votaram em Lula criticaram publicamente a gestão das contas públicas.

Qual é a situação financeira dos Correios?

A estatal registrou deficit de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 83% sobre o mesmo período do ano anterior. Em 2025, o prejuízo total foi de R$ 8,5 bilhões, recorde histórico da empresa.

Fontes
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/economistas-criticas-governo-lula-terceiro-mandato-gestao-contas-publicas-nprei
  • gov.br — https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/02/201co-brasil-hoje-esta-infinitamente-melhor-do-que-nos-pegamos-diz-lula-sobre-economia-do-pais
  • correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/06/7432549-deficit-dos-correios-supera-rs-3-bilhoes-no-primeiro-trimestre.html
  • pleno.news — https://pleno.news/brasil/politica-nacional/oposicao-protocola-impeachmaco-2-0-contra-ministros-de-lula.html

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