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Brasilia 4 min de leitura

Stuhlberger se arrepende de apoiar Lula e vê fiscal como 'ficção'

Economistas que apoiaram Lula em 2022 criticam a gestão fiscal do governo Lula 3; arcabouço sem espaço e Correios com R$ 3,15 bi de rombo em 2026.

Por Henrique Sales · Analista de Geopolitica

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TL;DR · 4 min de leitura

Economistas que apoiaram Lula em 2022 criticam a gestão fiscal do governo Lula 3; arcabouço sem espaço e Correios com R$ 3,15 bi de rombo em 2026.

Luis Stuhlberger, gestor do Fundo Verde e um dos nomes mais influentes do mercado financeiro brasileiro, não escolheu palavras amenas. “Eu me penitencio por ter acreditado que o PT teria alguma seriedade fiscal”, afirmou durante encontro com investidores. O orçamento de 2025, segundo ele, foi a evidência definitiva: uma “peça de ficção”.

O dado que embasou a virada de Stuhlberger é direto. Todo o espaço de gastos previsto no arcabouço fiscal já foi consumido nos orçamentos dos dois próximos anos, e a margem para elevar impostos está esgotada. Segundo o Estadão, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, chegou à mesma conclusão com outros termos: o que se vê nas finanças públicas brasileiras é uma “deterioração explícita”.

Não são vozes da oposição convencional. Stuhlberger declarou publicamente, em 2021, que jamais voltaria a votar em Jair Bolsonaro. Fraga foi mais direto: apoiou Lula no segundo turno de 2022 invocando a defesa da democracia. Outros economistas do mesmo campo, como Pedro Malan, Henrique Meirelles, Elena Landau e Persio Arida, já expressaram decepção similar com a condução econômica no governo Lula 3.

O padrão de resposta do governo

A postura de Lula diante de críticas do mercado financeiro segue um roteiro conhecido. Em abril de 2023, durante balanço dos cem primeiros dias de mandato, o presidente declarou que governar olhando para esse tipo de avaliação seria razão suficiente para deixar o cargo. “É importante que essa gente fale para a gente fazer diferente”, disse, conforme registrou O Globo.

Em março de 2026, em ato de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, Lula adotou outro argumento: a situação econômica seria boa, mas a percepção da sociedade não refletiria essa realidade. A InfoMoney registrou a declaração. O problema é que pesquisa Quaest de março apontou 46% dos brasileiros avaliando piora na economia e 43% reprovando a condução econômica do governo.

O peso das estatais

Os números das empresas públicas ajudam a compor o cenário fiscal. Os Correios encerraram o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, alta de 83% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Correio Braziliense apurou que despesas com pessoal, serviços advocatícios e encargos financeiros foram os principais vetores do rombo. Em 2025, o prejuízo acumulado chegou a R$ 8,5 bilhões, pior marca da história da estatal.

Esse tipo de resultado não emerge do acaso. Reflete um modelo que expande gastos obrigatórios sem contrapartida estrutural, ocupando o espaço fiscal antes que haja sobra para imprevistos ou investimento produtivo.

O que os números implicam

Quem elegeu Lula em 2022 incluía nomes do centro econômico que apostavam em uma gestão mais moderada do que o histórico petista sugeria. O arcabouço fiscal aprovado em 2023 foi uma sinalização nessa direção. Mas a execução revelou o que a regra não impede: o preenchimento de todo o espaço disponível com despesas novas, sem margem de sobra.

A revista britânica The Economist, citada pela BBC News Brasil, resumiu em junho de 2025: Lula seria “incoerente no exterior” e “impopular em casa”. O Itamaraty rebateu. O mercado, ao que tudo indica, não precisou de uma segunda leitura.

A pergunta que fica

Se economistas como Stuhlberger e Fraga, que emprestaram credibilidade técnica ao projeto de Lula, revisam publicamente suas posições, o sinal que chega ao investidor não é o de uma crítica partidária. É uma ruptura de confiança com quem apostou no governo. O espaço fiscal, segundo quem acompanha as contas de perto, já acabou.

FAQ

Quem é Luis Stuhlberger e por que sua opinião repercute tanto? Stuhlberger comanda o Fundo Verde, um dos fundos de investimento mais tradicionais e respeitados do Brasil. Sua avaliação serve de referência para grandes investidores institucionais e sinaliza tendências de alocação de capital no mercado.

O arcabouço fiscal não foi criado para controlar os gastos? O arcabouço define limites de crescimento das despesas, mas não impede que novos programas ocupem todo o espaço disponível dentro desses limites. Se o governo cria despesas obrigatórias até o teto, o resultado é zero margem para imprevistos ou cortes, exatamente o cenário descrito por Stuhlberger.

Por que economistas que apoiaram Lula em 2022 agora o criticam? A maioria declarou apoio no segundo turno priorizando a estabilidade democrática, não necessariamente concordância com o programa econômico do PT. A decepção com a gestão fiscal era um risco antecipado por vários deles e agora confirmado na prática.

O que acontece se o deficit continuar crescendo? Deficit persistente pressiona a dívida pública, eleva os juros de longo prazo e encarece o crédito para empresas e famílias. No limite, o governo seria forçado a elevar impostos ou cortar investimentos, ambos com custo político e econômico relevante.

Fontes
  • estadao.com.br — https://www.estadao.com.br/economia/economistas-criticas-governo-lula-terceiro-mandato-gestao-contas-publicas-nprei
  • oglobo.globo.com — https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/04/lula-reclama-de-criticas-a-economia-em-seus-primeiros-cem-dias-se-for-governar-pensando-nisso-e-melhor-desistir.ghtml
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • bbc.com — https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgq77yl880xo
  • correiobraziliense.com.br — https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/06/7432549-deficit-dos-correios-supera-rs-3-bilhoes-no-primeiro-trimestre.html
  • pleno.news — https://pleno.news/brasil/politica-nacional/oposicao-protocola-impeachmaco-2-0-contra-ministros-de-lula.html

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