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Brasilia 4 min de leitura

Fim de Casagrande abre corrida sem favorito no Espírito Santo

Sem candidato natural ao governo e segunda cadeira no Senado indefinida, o Espírito Santo enfrenta 2026 com o campo político mais aberto em anos.

Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista

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TL;DR · 4 min de leitura

Sem candidato natural ao governo e segunda cadeira no Senado indefinida, o Espírito Santo enfrenta 2026 com o campo político mais aberto em anos.

Renato Casagrande encerra seu segundo mandato no Espírito Santo sem um sucessor definido. O estado com a menor população do Sudeste, mas com uma das economias regionais mais dinâmicas, entra no calendário eleitoral de 2026 com duas vagas sem dono: o governo estadual e uma cadeira no Senado. A névoa política é densa.

O PSB perdeu a capacidade de emplacar uma candidatura natural ao Palácio Anchieta. Casagrande construiu dois mandatos sobre uma base de equilíbrio delicado, progressista o suficiente para a região metropolitana e moderado o suficiente para o interior conservador. Repetir essa equação sem ele à frente é o nó que nenhum partido capixaba desatou até agora.

Segundo o NDMais, o cenário político capixaba é historicamente equilibrado, sem dominância ideológica clara. A Região Metropolitana da Grande Vitória concentra 49% da população do estado, de acordo com o Censo 2022, e tende ao campo progressista. O interior apresenta bolsões de voto conservador mais consistentes. Qualquer candidatura viável precisa atravessar os dois territórios.

A disputa pelo Senado

A segunda vaga senatorial também segue indefinida. O Espírito Santo pode ser palco de uma das corridas mais competitivas do Sudeste em outubro. Partidos de centro e de direita enxergam a abertura como janela rara, do tipo que não aparece em dois ciclos seguidos.

O contexto nacional pesa sobre essas disputas. O governo Lula 3 chega ao ano eleitoral com desgaste acumulado: a aprovação presidencial caiu para 24% em fevereiro de 2025, redução de 11 pontos em dois meses, conforme pesquisa Datafolha citada pela CNN Brasil. Os principais motores foram o preço dos alimentos e a instabilidade cambial, com o dólar chegando a R$ 6,20 em dezembro de 2024. Pesquisa Quaest de março de 2026 mostrou que 46% dos brasileiros percebem piora na economia, mesmo com indicadores formais ainda positivos, conforme apontou a InfoMoney.

No Congresso, o debate sobre a escala 6x1 reorganizou alianças. A aprovação da PEC na Câmara aproximou o presidente Hugo Motta do Planalto, mas o Senado travou a proposta, como noticiou o Metrópoles. A movimentação deixa claro que 2026 começa com o governo federal em busca de vitórias legislativas para recompor sua base, e esse cálculo vai contaminar disputas estaduais, inclusive no Espírito Santo.

O que o Espírito Santo representa

O estado cresceu em silêncio. Infraestrutura, agronegócio, inovação e ciência compõem uma base produtiva que tornou o Espírito Santo relevante muito além de sua dimensão demográfica. É um estado onde a agenda do desenvolvimento econômico tem apelo transversal, e onde responsabilidade fiscal costuma ser critério de voto, não apenas discurso.

Nesse ponto, o debate nacional sobre política fiscal também aterra localmente. Economistas ouvidos pelo G1 rebateram a tese de que disciplina orçamentária seria inimiga do crescimento. Para o professor Robson Gonçalves, da FGV, todo agente econômico tem limite de crédito atrelado à responsabilidade fiscal, e isso vale para estados tanto quanto para a União. O Espírito Santo, com sua trajetória de crescimento na última década, já demonstrou que expansão econômica e equilíbrio orçamentário não se excluem.

O horizonte

O que vem a seguir depende de quem se movimenta primeiro. Partidos com peso nacional vão calibrar suas apostas capixabas nas próximas semanas, de olho na composição pós-2026 no Congresso. O eleitor do Espírito Santo, acostumado a um cenário sem hegemonias, vai exigir mais do que filiação partidária: vai querer saber o que cada candidato faz com o dinheiro público.

Perguntas frequentes

O que acontece com o governo do Espírito Santo com o fim do mandato de Casagrande?

Casagrande encerra seu segundo mandato em 2026 e está impedido de nova reeleição. O PSB não tem sucessor definido, o que abre disputa ampla pelo Palácio Anchieta entre diferentes espectros políticos.

Qual partido tem vantagem nas eleições capixabas de 2026?

Nenhum campo apresenta dominância clara. O cenário capixaba é historicamente equilibrado: a Grande Vitória tende ao voto progressista, enquanto o interior apresenta perfil mais conservador.

O desgaste do governo Lula impacta candidatos aliados no Espírito Santo?

Sim. Com aprovação de 24% no Datafolha e 46% dos brasileiros percebendo piora na economia, candidatos associados ao governo federal têm terreno mais difícil em estados onde a agenda econômica é central para o eleitor.

A segunda vaga no Senado pelo Espírito Santo está definida?

Não. A disputa senatorial segue completamente aberta, sem candidatos consolidados de nenhum campo político.

Fontes
  • ndmais.com.br — https://ndmais.com.br/politica/eleicoes-no-espirito-santo-em-2026/
  • g1.globo.com — https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/07/04/economistas-divergem-de-lula-e-dizem-que-austeridade-fiscal-da-seguranca-a-economia.ghtml
  • infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
  • cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao
  • metropoles.com — https://www.metropoles.com/brasil/pec-da-6x1-reaproxima-motta-de-lula-e-pressiona-alcolumbre-no-senado
  • poder360.com.br — https://www.poder360.com.br/poder-internacional/direita-e-esquerda-disputarao-2o-turno-para-presidente-na-colombia/

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