Ipsos-Ipec: governo Lula tem pior nota em economia e gastos
Ipsos-Ipec de março de 2026: 51% reprovam gestão fiscal de Lula e 50% rejeitam atuação no combate à inflação, piores marcas do governo Lula 3.
Por Rodrigo Vasconcelos · Colunista
Ipsos-Ipec de março de 2026: 51% reprovam gestão fiscal de Lula e 50% rejeitam atuação no combate à inflação, piores marcas do governo Lula 3.
Para 51% dos brasileiros, o controle de gastos públicos do governo Lula é ruim ou péssimo. No combate à inflação, a rejeição chega a 50%. Na segurança pública, 49%. Os dados são da pesquisa Ipsos-Ipec de março de 2026, divulgada pelo G1, e pintam um quadro uniforme: em todas as nove áreas analisadas, a percepção negativa supera a positiva.
É a pior performance do governo Lula 3 em pautas econômicas desde o início do terceiro mandato. Mesmo nas áreas consideradas pontos fortes do petismo, a aprovação não decolou: educação liderou os índices positivos com 36%, seguida de combate à fome e pobreza com 35%, mas em ambos os casos a rejeição prevaleceu numericamente.
Não há uma área sequer em que o governo colha saldo favorável. O resultado é unânime entre as nove frentes avaliadas.
O peso do bolso
No controle de gastos públicos, mais da metade dos entrevistados reprova a gestão. O dado importa porque, desde o início do mandato, a promessa de que responsabilidade fiscal e expansão do gasto social poderiam caminhar juntas nunca convenceu analistas, e agora essa insatisfação aparece de forma clara e mensurável na opinião pública.
Na inflação, o cenário é igualmente desfavorável. O custo dos combustíveis subiu no primeiro trimestre de 2026 por conta do conflito no Irã, mas parte dos reajustes foi antecipada por distribuidoras em produtos ainda não diretamente afetados pela guerra. Segundo a InfoMoney, Lula chamou o fenômeno de “falsa inflação” e responsabilizou agentes do setor privado pela alta. A rejeição no item inflação seguiu em 50%.
Governos estaduais, por sua vez, resistiram a abrir mão de receita do ICMS para conter o preço nas bombas. O impasse entre União e estados deixou o consumidor absorvendo o custo do desacordo.
A resposta do Palácio
Em evento de pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Lula declarou que a situação econômica brasileira é boa, mas que a percepção da sociedade “ainda não é boa”. Disse isso, segundo ele, “com a maior verdade absoluta”. A leitura presidencial é que o problema está na comunicação, não na realidade econômica.
A pesquisa Quaest de 10 de março, citada pela InfoMoney, contesta essa premissa: 46% dos brasileiros relatam percepção de piora na economia e 43% avaliam negativamente a condução econômica de Lula. Esses números sugerem que o desconforto não é ilusão de percepção, mas experiência concreta com o custo de vida.
O padrão não é novo
O declínio tem raízes visíveis nos meses anteriores. Em fevereiro de 2025, o Datafolha registrou aprovação de apenas 24% para Lula, queda de 11 pontos percentuais em dois meses, conforme detalhado pela CNN Brasil. Naquele momento, a inflação dos alimentos havia fechado 2024 em 7,69%, quase três pontos acima do IPCA oficial de 4,83% medido pelo IBGE. O dólar chegou a R$ 6,20 em dezembro de 2024 antes de recuar para a faixa de R$ 5,70.
Para reverter a tendência, o governo apostou em viagens pelo país e anúncios de obras. No governo Lula 2025, a troca de comando na Secom com a chegada de Sidônio Palmeira não gerou impacto mensurável nas pesquisas, e analistas apontaram a ausência de uma assessoria interna disposta a contrabalançar o presidente dentro do próprio Planalto.
Entre 2025 e março de 2026, o fio condutor é o mesmo: a percepção de que o gasto público cresceu sem correspondência visível na qualidade de vida do cidadão médio, seja no supermercado, no posto de gasolina ou na escola pública.
A questão que fica sem resposta clara é objetiva: quando um governo insiste por mais de um ano que o problema é de percepção, em que ponto o diagnóstico muda?
FAQ
O que a pesquisa Ipsos-Ipec avalia sobre o governo Lula? A pesquisa mede como a população percebe a atuação do governo em nove áreas distintas, de gastos públicos a educação. Na edição de março de 2026, a avaliação negativa superou a positiva em todas elas sem exceção.
Por que o controle de gastos públicos é o pior índice do governo Lula 3? Cinquenta e um por cento avaliam essa área como ruim ou péssima. O resultado reflete a tensão entre a expansão do gasto público e a promessa de responsabilidade fiscal que o governo Lula fez ao mercado no início do mandato, promessa que nunca se traduziu em cortes efetivos.
Como a inflação impacta a aprovação do governo Lula? A inflação dos alimentos fechou 2024 em 7,69%, quase três pontos acima do IPCA oficial. Em 2026, o aumento dos combustíveis agravou a percepção de perda de poder de compra, puxando a rejeição no item inflação para 50% na pesquisa Ipsos-Ipec.
Qual foi a menor aprovação registrada por Lula no terceiro mandato? O Datafolha registrou 24% de aprovação em fevereiro de 2025, a pior marca nos três mandatos, impulsionada pela alta dos alimentos e pela desvalorização do real no segundo semestre de 2024.
- g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/11/pesquisa-ipsos-ipec-avaliacao-governo-lula-areas.ghtml
- infomoney.com.br — https://www.infomoney.com.br/politica/situacao-economica-e-boa-mas-percepcao-da-sociedade-nao-e-diz-lula
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao