Segurança jurídica do governo Lula não convence investidores
Por que empresários desconfiam do ambiente de investimentos no governo Lula 3, apesar do crescimento do PIB e do discurso oficial de segurança institucional.
Por que empresários desconfiam do ambiente de investimentos no governo Lula 3, apesar do crescimento do PIB e do discurso oficial de segurança institucional.
A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a 24% em fevereiro de 2025, o pior índice em seus três mandatos segundo pesquisa do Datafolha divulgada pela CNN Brasil. A queda foi de 11 pontos percentuais em apenas dois meses. Nenhuma narrativa de segurança jurídica sobrevive, intacta, a esse dado.
O principal fator por trás do tombo não foi ideológico, mas cotidiano: o preço dos alimentos. Enquanto o IPCA oficial fechou 2024 em 4,83%, a inflação do setor alimentar bateu 7,69% no mesmo período. O bolso da família média não sente o índice cheio; sente a conta no supermercado.
Para o empresário que decide onde alocar capital, esse dado pesa mais do que qualquer declaração ministerial sobre ambiente de negócios. Consumo comprimido, crédito caro e câmbio volátil formam um conjunto hostil ao investimento privado.
O dólar e o rombo fiscal
O dólar chegou a R$ 6,20 em dezembro de 2024, segundo a CNN Brasil, antes de recuar para a faixa de R$ 5,70. Mesmo com a estabilização parcial, a volatilidade deixou rastros: contratos de médio prazo ficaram mais caros, margens de importação encolheram e a incerteza fiscal contaminou o custo do dinheiro.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, tenta conter a expansão das despesas sem conseguir reverter a trajetória estrutural do gasto público, como reconhece o Jornal Opção. O objetivo real não é zerar o crescimento do gasto, mas evitar que ele ultrapasse em muito a meta do arcabouço fiscal. Isso não é ajuste; é manejo de dano.
Há, é verdade, sinais positivos que o governo Lula 2025 coloca em destaque. O Jornal Opção aponta crescimentos setoriais relevantes: shopping centers superaram receitas pré-pandemia, a produtora de etanol Inpasa anunciou R$ 5 bilhões em novos investimentos e a Compass assumiu o controle da Compagas por R$ 906 milhões. O PIB deve crescer entre 1,9% e 2% em 2024, com projeção do FMI entre 2% e 2,5%.
Crescimento de 2% ao ano, porém, em uma economia com demanda reprimida e déficit acumulado em serviços públicos, é ritmo de manutenção, não de expansão. Não gera empregos suficientes para absorver novos entrantes no mercado de trabalho nem reduz a percepção de risco que afasta capital de projetos com prazo de maturação longo. O governo Lula 3 opera em modo de gerenciamento de expectativas.
O que os números revelam
Segurança jurídica é um ativo difícil de mensurar, mas o mercado tem seus sinalizadores. Taxa de câmbio, spread de crédito e nível de confiança do empresário falam mais alto do que discursos oficiais. Quando o dólar oscila quase R$ 1 em poucas semanas, a mensagem que chega ao diretor financeiro de qualquer multinacional é clara: o ambiente é administrável, mas não é previsível.
O governo Lula herdou um cenário fiscal deteriorado e o administra com ferramentas limitadas. A questão não é se Lula governa bem ou mal em termos absolutos. O ponto central é se o ritmo de crescimento, a dinâmica do gasto e a volatilidade cambial são compatíveis com uma agenda robusta de investimentos privados. Os dados de aprovação e de inflação de alimentos sugerem que, até aqui, a resposta é negativa.
Olhando para 2026
Com as eleições no horizonte e o índice de aprovação no menor patamar dos três mandatos de Lula, a pressão por entregas concretas vai crescer. O risco imediato é que o governo recorra a estímulos fiscais de curto prazo para recuperar popularidade, justamente o caminho contrário ao que o setor produtivo precisa ver para ampliar apostas no Brasil.
A pergunta que o empresário faz não é se o governo é favorável ao capital. A pergunta real é: se eu investir agora, as regras do jogo serão as mesmas em dois anos? Por enquanto, a resposta honesta é: provavelmente sim, mas sem garantias.
Perguntas frequentes
O que é segurança jurídica para investidores? É a garantia de que contratos, tributação e regulação não mudarão de forma abrupta ou retroativa. Investidores avaliam isso pelo histórico de alterações de regras, pela estabilidade do câmbio e pela previsibilidade do gasto público.
Por que a aprovação do governo Lula caiu tanto em 2025? Os principais fatores levantados pelo Datafolha foram o aumento no preço dos alimentos, a desvalorização do real e falhas de comunicação do Planalto. A inflação de alimentos fechou 2024 em 7,69%, bem acima do IPCA oficial de 4,83%.
Crescimento do PIB significa que o ambiente de negócios está favorável? Crescimento de 2% ao ano indica atividade econômica, mas não necessariamente atração de novos investimentos. O custo do capital permanece elevado e a volatilidade cambial dificulta o planejamento de projetos de longo prazo.
O que pode mudar com as eleições de 2026? A disputa eleitoral vai pressionar o governo a apresentar resultados visíveis. O risco é que políticas de estímulo de curto prazo agravem o desequilíbrio fiscal, criando exatamente o ambiente de incerteza que o setor produtivo quer evitar.
- jornalopcao.com.br — https://www.jornalopcao.com.br/editorial/governo-lula-e-melhor-do-que-dizem-seus-criticos-e-pior-do-que-acreditam-os-petistas-620109/
- cnnbrasil.com.br — https://www.cnnbrasil.com.br/politica/veja-os-5-fatores-que-levaram-o-governo-lula-a-pior-aprovacao/
- exame.com — https://exame.com/brasil/eleicoes-2026-quem-sao-os-possiveis-candidatos-ao-senado-no-ceara/