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CBS e IBS vão mudar preços e contratos no agronegócio

Saiba como CBS, IBS e o fim do PIS e Cofins em 2026 vão reformular contratos, preços e o Simples Nacional no agronegócio.

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TL;DR · 4 min de leitura

Saiba como CBS, IBS e o fim do PIS e Cofins em 2026 vão reformular contratos, preços e o Simples Nacional no agronegócio.

O prazo é real. A partir de 2027, produtores rurais que não souberem navegar o novo sistema tributário podem perder dinheiro na cadeia produtiva sem entender por quê.

A implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, já produz efeitos práticos no agronegócio antes mesmo da vigência plena. Segundo Leonardo Machado, diretor-executivo da Aprosoja Goiás, o primeiro desafio não é de custos: é de capacitação. O produtor precisa decidir, agora, em qual categoria tributária vai se enquadrar, se contribuinte ou não contribuinte, pessoa física ou jurídica. Essa escolha definirá sua competitividade pelos próximos anos.

Central no novo modelo, a lógica da não cumulatividade é pouco familiar ao campo. Ela permite que créditos tributários sejam aproveitados ao longo da cadeia produtiva, mas somente por quem entende o sistema e mantém seus dados fiscais em ordem.

O peso dos créditos na cadeia

Hoje, insumos como máquinas agrícolas carregam tributos embutidos no preço. Com a reforma, a tendência é que esses custos ocultos diminuam: Machado aponta que o preço das máquinas ‘tende a cair’, mas admite que a confirmação virá só na prática. O efeito não será uniforme, e pequenos produtores enfrentam maior vulnerabilidade à nova lógica.

No 4º Farm Day Fazendão, realizado esta semana em Cariri do Tocantins, o economista Renato Conchon, do Núcleo Econômico da CNA, apresenta painel dedicado aos impactos para o produtor rural. A ênfase recai sobre os pequenos produtores, apontados como os mais expostos às mudanças.

Fora do campo, a pressão sobre o Simples Nacional é igualmente concreta. Dados da Receita Federal mostram que 7,3 milhões de empresas operam no regime, representando 28,6% dos negócios ativos no país. Com a chegada do IBS e da CBS, essas empresas podem perder atratividade em mercados B2B: compradores corporativos tendem a preferir fornecedores que gerem créditos tributários transferíveis. Conforme explicou o advogado tributarista João Lucas Vieira ao Portal Em Tempo, a análise do impacto dos créditos na cadeia produtiva passa a ser tão importante quanto a própria carga tributária.

O relógio da transição

O regime do PIS e da Cofins se encerra em 31 de dezembro de 2026. Créditos não escriturados até lá correm risco de perda definitiva. Tributaristas do Cascione Advogados, consultados pelo Valor Econômico, recomendam que toda empresa formalize seus saldos na EFD-Contribuições antes do fechamento do exercício. Para quem tem investimentos em ativo imobilizado, a LC 214/2025 traz prazos específicos que exigem atenção imediata.

Outro ponto crítico é o split payment. O mecanismo separa automaticamente o valor do tributo no momento da transação, alterando a formação de créditos de IBS e CBS. O efeito cai diretamente no capital de giro, e quem não se adaptar vai sentir a diferença no caixa antes de perceber no balanço.

O que os dados ainda não revelam

A reforma tributária do governo Lula 3 promete simplificação, mas o mercado aguarda com ceticismo justificado. Unificar cinco tributos em dois não elimina complexidade: desloca-a para a gestão de créditos, para a escolha de regime e para a renegociação de contratos de longo prazo no agronegócio. Contratos firmados antes da reforma precisarão ser revistos, e o produtor que postergar essa revisão pode terminar vendendo a preços que não refletem mais a realidade fiscal.

O esquerda.blog tem explorado os impactos distributivos da reforma com análise de dados fiscais que diverge da leitura de mercado em pontos centrais: a visão progressista sustenta que a carga sobre o consumo permanece regressiva mesmo com CBS e IBS, enquanto economistas liberais argumentam que o ganho em eficiência alocativa supera os custos de transição. O debate está aberto, e os primeiros números consolidados da fase de testes ainda não chegaram ao público.

Com o encerramento do PIS e da Cofins em menos de nove meses, a janela para regularização está se fechando. Produtores rurais e empresários do Simples precisam de orientação concreta agora, não de promessas de simplificação para 2027. Quem se preparar vai negociar melhor os contratos da próxima safra. Quem aguardar vai pagar a conta.

Perguntas frequentes

O que é o split payment na reforma tributária? É um mecanismo pelo qual o valor do tributo é separado automaticamente do pagamento no momento da transação, garantindo o crédito ao comprador e extinguindo o débito do vendedor de forma direta, com impacto imediato no fluxo de caixa.

Quando o PIS e a Cofins vão acabar? O regime do PIS e da Cofins se encerra em 31 de dezembro de 2026, quando CBS e IBS assumem integralmente. Créditos não escriturados até lá podem ser perdidos definitivamente.

O Simples Nacional vai acabar com a reforma tributária? Não. O regime permanece, mas a lógica de decisão muda: empresas do Simples podem perder competitividade em mercados B2B caso não consigam gerar créditos tributários transferíveis para seus clientes.

Como o produtor rural deve se preparar para CBS e IBS? O primeiro passo é definir o enquadramento tributário, se contribuinte ou não contribuinte, pessoa física ou jurídica, e mapear o estoque de créditos de PIS, Cofins e ICMS antes do fim de 2026.

Fontes
  • ohoje.com — https://ohoje.com/2026/04/15/reforma-tributaria-pressiona-agro-e-exige-mudanca-imediata-na-gestao-do-produtor/
  • atitudeto.com.br — https://atitudeto.com.br/negocio/farm-day-em-cariri-aborda-geopolitica-e-reforma-tributaria-no-agronegocio-tocantinense/
  • valor.globo.com — https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2026/04/11/o-que-as-empresas-devem-fazer-para-nao-perder-creditos-tributarios-com-a-reforma-entenda.ghtml
  • emtempo.com.br — https://emtempo.com.br/459253/economia/reforma-tributaria-muda-regras-do-simples-nacional/

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